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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Todos com Marcelo?

Eu não. Deus me livre!

 

Era só o que faltava ter que aturar mais um aristocrata, afilhado do Estado Novo, na Presidência.

 

Mas parece que a maioria está com Marcelo: a comunicação social (não apenas a TVI), a direita (em peso), Passos Coelho, Paulo Portas e até alguns que se dizem de esquerda.

 

A comunicação social, essa grande instituição que prima pela isenção, está definitivamente com Marcelo para a Presidência. Neste campo, a TVI teve e tem um papel primordial, já que permitiu que Marcelo fosse esgadanhando o seu percurso que o levou a candidato à Presidência da República. Mas a estação do Balsemão (que parece estar já com assento garantido no Conselho de Estado) não lhe fica atrás.

 

Até Passos Coelho já decidiu apoiar o “catavento de opiniões erráticas” (palavras do próprio), porque não lhe resta alternativa.

 

Também Paulo Portas (BFF de Marcelo) anunciou o seu apoio ao candidato Marcelo. Alegou em defesa da sua posição que, existem muitos socialistas no poder: o Presidente da Assembleia da República é socialista, o Primeiro-Ministro é socialista, o Governo é socialista, o Presidente da Câmara de Lisboa é socialista, mas como se esqueceu de referir que o Presidente da Junta de Freguesia de Cucujães também é socialista, não me convenceu. Disse ainda que Marcelo é o único candidato independente e que, por esse motivo, é o candidato ideal a vencer as eleições. Ora, o que significa “independente”? Em teoria, todos os candidatos são independentes, já que nenhum se está a candidatar em representação de um partido. Contudo, poucos serão os candidatos sem filiação partidária e Marcelo não é um desses, com absoluta certeza. Mas como é o candidato da direita, é independente, só porque dá jeito. Os candidatos da esquerda, esses é que são todos uns agrilhoados às máquinas partidárias, não é verdade senhor Paulo Portas? Compreendo a frustração de Portas em ter que apoiar Marcelo, militante PPD, mas, fazer o quê? Portas e o seu CDS não têm capacidade para apresentar um candidato à Presidência da República, por isso, apoia Marcelo e apelida-o de candidato independente e abrangente. Mas, tratando-se de Portas, há sempre tempo para revogar as tomadas de posição. É óbvio que os principais candidatos presidenciais não são independentes, eles dependem e muito das máquinas partidárias para se elegerem. No entanto, há que recordar que a maior máquina partidária neste país é a comunicação social.

 

Marcelo Rebelo de Sousa esteve 15 anos com a comunicação social ao seu dispor, o que lhe permitiu construir uma imagem positiva, mas falsa, de si mesmo. Marcelo não é nada do que aparenta ser e do que dizem por aí. Politicamente, Marcelo é um impreparado, nunca esteve à altura dos desafios que enfrentou. Já como comentador é um “expert” em todas as matérias. Parece um papagaio a comentar tudo e mais alguma coisa, mesmo sem saber patavina do que está a dizer. Se lhe pedirem para se pronunciar sobre as ovelhas bordaleiras, ele vai fazê-lo passando a ideia que se dedica ao pastoreio desde pequenino e é bem capaz de dizer que ainda guarda umas mantinhas de burel que trouxe de Celorico de Basto, quando ainda era um petiz, só para conferir mais realismo à coisa.

 

Foram raras as intervenções dominicais em que não metesse as patas na poça. Dizem por aí que é um indivíduo culto, porque consegue opinar sobre tudo, o Ti Zé Bilro da tasca da esquina também o faz e ninguém lhe reconhece os mesmos méritos. Dizem que é muito culto por recomendar e dar opiniões sobre livros que nunca leu. E que demonstra uma educação e preparação académica de fazer inveja. Tenho ouvido e lido que por ser professor universitário é alguém cujo intelecto merece uma enorme admiração… Pedro Arroja e Pedro Cosme Vieira também são dois grandes intelectuais que leccionam no ensino superior.

 

Marcelo Rebelo de Sousa saberá (?) alguma coisa de Direito e de leis, mas até aí coloco as minhas reservas. Recordo-me perfeitamente de ouvir Marcelo questionar, a propósito das dívidas de Passos Coelho à Segurança Social, “como é que este (Passos Coelho) pagou uma dívida que já não existe?”. Disse, com aquele ar de espanto, não entender como isso foi possível. Portanto, Marcelo – um especialista em leis – desconhecia que é sempre possível liquidar uma dívida à Segurança Social. A dívida pode prescrever e, nesse caso, deixa de existir a possibilidade de cobrança coerciva, mas isso não significa que o sujeito devedor não possa regularizar a sua situação perante a Previdência. Marcelo desconhecia esse facto, como tantos outros que foi comentando sem ter qualquer conhecimento sobre a matéria, baseando-se apenas em títulos de jornais e opiniões infundadas de outros bitaiteiros. Isto é matéria de facto, senhor professor. No fundo, Marcelo é um bitaiteiro, coisa comum no mundo futebolês. Por falar em futebol, Marcelo enverga também no seu majestoso currículo uma grande intervenção como entrevistador de jogadores de futebol. Certamente que todos se lembram da entrevista que fez a Cristiano Ronaldo. Marcelo é isto. Um básico! Um palpiteiro! Mas as TVs têm esse fantástico poder de endeusar qualquer aboleimado. Basta pô-lo a falar imediatamente antes das telenovelas e a maior parte dos telespectadores vai-se render. Parece que a maioria das pessoas gosta disso, que lhes entrem pela cabeça adentro, que lhes poupem dessa tarefa secante que é pensar, que as impeçam de enxergar para além do óbvio, que as mantenham adormecidas nesse indefectível estado de repouso dos seus neurónios.

 

Marcelo vai continuar a andar por aí a piscar o olho à direita e à esquerda, principalmente à esquerda. Finório! Soube interpretar bem o quadro sociopolítico, bem espelhado no quadro parlamentar nacional. Marcelo percebeu (também não era difícil) que só os votos da direita não chegam para vencer as presidenciais. Ninguém será eleito com menos de 40% dos votos. E por isso, são muitos os “soundbytes” lançados ao eleitorado de esquerda, porque só assim conseguirá vencer. Também a direita de Passos e Portas decidiram, por fim, apoiar a candidatura de Marcelo, muito a contragosto, é claro. Mas não lhes resta alternativa, senão eleger Marcelo e esperar que este dissolva o Parlamento. Portanto, o circo está montado. A comunicação social já decidiu qual o candidato a eleger e nós bem sabemos que a comunicação social consegue eleger até o Tino de Rans, se quiser.

 

Para ser eleito, Marcelo necessitará de muitos votos do eleitorado de esquerda. Quando vi os resultados da última sondagem, que dá a vitória a Marcelo logo na primeira volta com 62% dos votos, até me passou pela cabeça que Marcelo seria o candidato da ala esquerda, já que a direita nas últimas eleições ficou-se pelos 38%...

 

Um último apelo aos eleitores de esquerda: não se deixem enganar por este “novo” Marcelo. É, apenas e só, mais um embuste da direita. Um autocrata ressuscitado do Estado Novo. O que ele quer sei eu. E bem me lembro do que ele andou a bitaitar durante anos sobre a esquerda, em especial, sobre o PCP e o BE. Lembro-me perfeitamente da desditosa logorreia que foi vomitando sobre Catarina Martins e João Semedo, chegando mesmo a roçar a patetice. Mas agora já fala como se os tivesse em boa conta e consideração. Ninguém muda do dia para a noite, a água não se mistura com o azeite e, muito menos se torna em vinho, a menos que seja “martelado”.

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