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Contrário

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RAPIDINHA

“Stalin assinava um acordo secreto com Hitler. Nove dias depois, começava a II Guerra Mundial”. São os FdP (Fanáticos da Propaganda), uma vez mais, prostrados de quatro e levar com os bacamartes de Washington e a latir a sua propaganda. É verdade que Estaline assinou um acordo com Hitler, em Agosto de 1939. Mas em que consistiu esse acordo? E já que falam na II Guerra Mundial, como é que ela acabou? Não me digam que foi com o desembarque na Normandia… Ah! Os heróis da Normandia!

Todos os dias são “25 de Novembro de 1975”

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Andam por aí uns histéricos a defender a celebração do dia 25 de Novembro de 1975. Muitos deles até sugerem que deveria ser feriado. Contudo não se vislumbra qual a necessidade de destacar a referida data, quando a “democracia” portuguesa celebra-a, todos os dias, há quase cinco décadas.

O 25 de Novembro de 1975 trouxe a Portugal, uma série de sucessivos governos praticamente iguais (qual ditadura), que se vão revezando e que mais não fazem do que perpetuar o famigerado “bloco central”, sempre muito empenhado em fazer esquecer as verdadeiras intenções do 25 de Abril.

O 25 de Novembro está bem espelhado na actual situação do país. O 25 de Novembro vê-se na forma como os serviços públicos (saúde e educação) são completamente degradados e abandonados por aqueles que se encontram no poder, em favor do florescimento dos privados. O 25 de Novembro vê-se em cada privatização de empresas públicas – essenciais ao bom funcionamento de uma sociedade – que mais não são do que negociatas que visam o favorecimento de maia dúzia de privados. O 25 de Novembro reflecte-se muito bem numa crise em que aqueles que vivem do trabalho (com muitas dificuldades) são chamados a pagá-la, para que aqueles que mais têm enriqueçam ainda mais. O 25 de Novembro vê-se nas palavras de um Primeiro-ministro que diz não concordar com os ditames do Banco Central Europeu, mas que nada faz e/ou pode fazer contra isso.

O 25 de Novembro vê-se no facto de alguns serviços e infra-estruturas essenciais ao funcionamento do país, que outrora estavam nas mãos do Estado (onde devem estar), mas que agora são exploradas pela meia dúzia de privados que depravam a democracia e engordam as suas contas bancárias à custa de decisões políticas feitas à medida. Alguns exemplos? EDP, REN, Petrogal, Brisa e outras auto-estradas, CTT, TAP, ANA, Efacec…

O 25 de Novembro está todos os dias nas notícias do país. E não é por boas razões. Mas ainda há quem queira “obrigar” o país a celebrar esta data.

O 25 de Novembro de 1975 não é mais do que o momento em que todos aqueles que andaram a reboque do sistema ditatorial fascista do Estado Novo passaram a ser vistos como impolutos democratas. Eles criaram partidos, ditos democráticos, partidos que se dizem ao centro (como se isso existisse) e supostamente compostos por gente “moderada”. E já todos deveriam ter percebido que quando alguém alega ser um “moderado” na política, apenas significa dizer que, muito provavelmente, se trata de um lobo fascista disfarçado de cordeirinho democrata.

O 25 de Novembro de 1975 foi o momento que permitiu o regresso de todos aqueles que fizeram parte do poder corporativista fascista, que muito prosperaram durante o longo período da ditadura. E que continuam a properar na "democracia" instaurada a partir do 25 de Novembro de 1975.

O 25 de Novembro de 1975 foi um momento semelhante à vinda de 666 mil Papas a Portugal, tal foi a onda avassaladora de amnistias concedidas e a vaga de canonizações de fascistas que, desde então, passaram a ser vistos como democratas imaculados. O 25 de Novembro teve esse poder milagroso, em que todos os brilhantes fascistas se tornaram – num ápice – nos mais bondosos e tolerantes democratas.

O 25 de Novembro de 1975 representa o momento em que alguns daqueles que aparentemente lutaram contra o sistema ditatorial, deram a mão àqueles contra quem supostamente apresentavam profundas divergências e, assim, em harmonioso concubinato, mataram os verdadeiros desígnios do 25 de Abril.

O 25 de Novembro é também a razão pela qual a comunicação social capturada - alguma parte dela até provém do tempo do Estado Novo, a outra já nasceu e cresceu dentro do sistema – vai continuar a servir e a propagandear a ideia de que essa data foi um importante marco na democracia portuguesa. Esta "democracia" cheia de vitalidade e probidade. Vão também continuar a fazer uso do lápis azul, até mesmo aqui, na blogosfera.

O 25 de Novembro só é celebrado por quem, na verdade, nunca conseguiu engolir aquilo que muitos fizeram no 25 de Abril.

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