Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Um país à experiência

Portugal é, oficialmente e desde a passada sexta-feira, um país à experiência. Um país que se submete – por decisão das autoridades políticas e da saúde – à experiência de ver o que será que vai acontecer com a cessação de praticamente todas as medidas de prevenção contra a propagação do SARS-CoV-2.

Olhando para os actuais números da pandemia – os de cá - e comparando-os com os do ano passado, por esta altura, verifica-se que não há nada – por enquanto - que nos possa garantir que o R(t) e a incidência não vão disparar dentro de algumas semanas. A vacinação – infelizmente – não impede a propagação do vírus e, mais importante ainda, não confere a tão elevada protecção (anunciada inicialmente) contra a actual variante, sendo que nem sequer sabemos se oferecerá alguma protecção a outras variantes que poderão surgir.

Como é possível avançar com tanta confiança para uma normalidade quase pré-pandemia, quando a pandemia continua bem activa no mundo e logo na altura em que acabamos de entrar na época do ano que mais propicia o aumento da actividade dos vírus respiratórios?

O país está entregue a meia dúzia de irresponsáveis – para não lhes chamar pior – que, claramente alinharam na ideia de submeter o país à experiência de se borrifar para uma pandemia que está longe de terminar.

Com o aproximar do tempo mais frio e húmido seria mais do que expectável que autoridades políticas e da saúde continuassem a incentivar e manter a obrigatoriedade do uso da máscara, sobretudo nos espaços fechados. Até mesmo para também conferir protecção a outras doenças respiratórias como a gripe. Não. O governo retira a obrigatoriedade do uso da máscara em muitos locais fechados e, note-se, chega ao ridículo de delegar nos patrões a decisão de se usar ou não a máscara no local de trabalho. Estas e outras sandices, tais como acabar com as limitações em restaurantes, bares, discotecas, ginásios e estádios de futebol constituem um vasto manancial de pura leviandade.

O futuro, não muito distante, vai demonstrar se este governo é apenas imbecil, negligente - como já o foi anteriormente - ou apenas com sorte. Esperemos que, nesta matéria, o governo tenha mesmo muita sorte.