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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Venha a nós o vosso voto

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Em relação à possibilidade de as pessoas que estiverem em isolamento no próximo dia 30 de Janeiro poderem votar, o Governo decidiu permitir que as mesmas possam quebrar o dever de confinamento e deslocarem-se até às respectivas assembleias de voto e exercer o seu direito.

A ministra Francisca Van Dunem disse que o Governo não tem poderes para impedir as pessoas de votarem no horário que entenderem, pelo que apenas recomendou para que esses eleitores exerçam o seu direito de voto no horário compreendido entre as 18h e as 19h. Portanto, o Governo recomenda, tal como recomendou que as pessoas não estivessem sem máscara nos jantares de Natal e abrissem as janelas, entre outras sandices. E para cúmulo, o Governo sustenta esta “recomendação” no “histórico do comportamento exemplar dos portugueses” ao longo da pandemia. Se bem se lembram, em Janeiro do ano passado António Costa e o seu Governo fartaram-se de atirar as culpas para cima dos cidadãos, por estes se terem portado muito mal no Natal e na passagem de ano.

Bem, o Governo não pode impedir as pessoas de votarem no horário que entenderem, mas se não conseguiu encontrar soluções que impeçam que as pessoas em confinamento se cruzem com as demais, melhor seria que não permitissem que votassem. E não me venham com a treta de que votar é um direito primordial, porque trabalhar, ir à escola, ou ir a um funeral de um ente querido também é um direito fundamental.

Ainda há bem pouco tempo testemunhei uma família desfeita em lágrimas, às janelas de suas casas, enquanto o reduzidíssimo cortejo fúnebre de um familiar com quem coabitavam passava na rua. Aquela família ficou impedida de prestar uma última homenagem e de se despedir do seu ente querido, algo que representava muitíssimo menos perigo para a saúde pública, já que se trata de uma cerimónia ao ar livre e com pouquíssimas pessoas. Tal como esta família, muitas outras tiveram que passar pela mesma devastadora experiência.

Mas para votar já não há problema. Porque o valor do voto é mais importante? Sim, claro que o valor do voto é muitíssimo mais importante. Só para que tenham a noção, partidos como o PS e o PSD recebem subvenções anuais acima dos 5 milhões e 4 milhões de euros, respectivamente. Sim, são vários os milhões de euros que estes dois partidos recebem por ano, graças aos nossos votos.

Ora, como se prevê que possam estar cerca de 800 mil pessoas em isolamento no dia das eleições, que se lixe a saúde pública e venha nós o vosso voto.