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Contrário

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Vice-almirante sempre falante

O coordenador da task force para a elaboração do Plano de Vacinação, o vice-almirante Gouveia e Melo é das figuras que mais aparece nos órgãos de comunicação social. Dizem por aí que o homem é competentíssimo e que se farta de trabalhar. Ele próprio já disse, várias vezes, que o trabalho que lhe foi confiado é bastante complexo e exigente. Bom, ninguém diria, se considerarmos a imensa disponibilidade que o vice-almirante tem para estar em tudo que é evento com cobertura mediática. De manhã vai a um congresso de uma classe profissional (que não a dele), de tarde está numa rádio a dar uma entrevista e à noitinha ainda arranja tempo para marcar presença num estúdio de televisão, com o mesmo propósito.

Mas pior do que estar sempre debaixo dos holofotes mediáticos e, consequentemente, de estar sempre a falar é aquilo que ele diz. Não raras vezes, Gouveia e Melo extravasa – e de que maneira – o âmbito daquilo que são as responsabilidades que lhe foram confiadas. A função do senhor vice-almirante é executar o Plano de Vacinação. É, portanto, expectável que se pronuncie – comedidamente – sobre a quantidade de vacinas disponíveis, sobre o seu armazenamento e respectiva distribuição para os centros de vacinação. Poderá ainda pronunciar-se sobre o agendamento e a gestão dos procedimentos nos centros de vacinação. O problema é que o homem farta-se de falar sobre questões que não cabem nas suas responsabilidades. Ele está sempre a opinar sobre questões que são da exclusiva responsabilidade das autoridades da saúde e do Governo. Por exemplo, já o ouvimos dizer que não ia “perder tempo a vacinar grupos e grupinhos”, a pronunciar-se reiteradamente sobre quais as idades a vacinar e, mais recentemente, veio dizer que a vacina da Janssen vai ser administrada a homens com idade inferior a 50 anos. São também muitas as vezes que nos presenteia com lições sobre economia, psicologia, sociologia e até imunologia.

Muito recentemente disse – para justificar o (seu) alegado sucesso - que “o indicador do sucesso na vacinação é o número de pessoas que se vacina por dia”. Não, não é apenas o número de pessoas. O principal indicador de sucesso deveria ser o de vacinar primeiro a população que mais necessita da vacina. Neste momento existem mais de 150 mil pessoas pertencentes ao grupo de risco (factor idade) que ainda se encontram à espera da vacina.

Apesar de o senhor vice-almirante ter uma especial vocação para ser uma celebridade e para falar de tudo o que lhe diz e não diz respeito, a verdade é que os principais culpados dessa situação são o Governo e a DGS, que parecem estar muito confortavelmente escondidos por detrás da figura camuflada do senhor vice-almirante.

O homem vem sempre à frente, fala que se farta e ainda lhe sobre tempo para terminar os seus discursos com aquela postura humanista, de sábio, de quem compreende bem o mundo que o rodeia e de quem se solidariza com o próximo. De facto, juntando todas estas características e circunstâncias, não deverá faltar muito para vermos o seu nome a ser proposto para um qualquer cargo político.

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