Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

RAPIDINHA

Sempre a apoiar o nazismo, o "nazionismo" e o genocídio. E sempre a regurgitar a propaganda de Washington. Coisinha repelente.

Você alguma vez pensou?

cartoon_latuff.jpg

Você alguma vez pensou ver os “líderes” ocidentais do “mundo livre”, dos regimes “democráticos”, os maiores arautos da liberdade e da paz a glorificar o nazismo, a apoiar o genocídio e a celebrar a destruição de nações?

Desde o passado Domingo que os “líderes” políticos do ocidente, sua comunicação social prostituída e muita gente comum estão em pulgas com a queda e fuga do Presidente da Síria, Bashar al-Assad. Dizem eles que caiu mais um regime ditatorial regido por um facínora sanguinário. Dizem eles que os “rebeldes” libertaram a Síria da ditadura, da repressão e da guerra. Dizem eles que, agora, a Síria poderá respirar liberdade, democracia e paz.

Eu fico estupefacto com a total incapacidade que muitas pessoas – é que são mesmo muitas – evidenciam em pensar pelas suas próprias cabeças, fico até estarrecido com a completa inoperatividade cerebral dessas pessoas, que não conseguem perceber nada do que se passa à sua volta. Com tantos meios disponíveis, continuam mergulhadas na ignorância e inebriadas (eu diria que, até mesmo encantadas) com tudo aquilo que ouvem, vêem e lêem na comunicação social, ou com tudo o que sai da boca dos políticos serventes do poder instituído.

Vejamos, não é necessário ser-se um historiador, um analista político, um especialista em relações internacionais ou outra acreditação qualquer, daquelas com nomes pomposos, para se saber o mínimo – e o suficiente – acerca do que se tem passado na Síria.

Portanto, dizem que a Síria era uma ditadura com mais de 50 anos (alguns até dizem que Bashar al-Assad estava no poder há 50 anos, deve ter assumido o poder assim que concluiu a escola primária…), no entanto, são os mesmos que repetem até à exaustão que Bashar al-Assad foi responsável por milhares de presos políticos, por centenas de milhares de mortos e por milhões de refugiados, desde o ano de 2011. Ou seja, até 2011 Bashar al-Assad não era sanguinário, não mandava exterminar ninguém, nem causava milhões de refugiados. Só a partir de 2011 – altura em que, numa bela tarde, Bashar al-Assad terá ingerido dois damascos podres que o deixaram num estado de fúria incontrolável – é que começaram as bárbaras execuções, a matança, a perseguição de curdos e cristãos e a debandada de refugiados sírios. Malditos damascos podres que contaminaram a mente do senhor Assad.

A verdade é que em 2011, a Primavera Árabe, que não é mais do que um duro Inverno infligido por Washington, invadiu a Síria. Foi a partir desse ano que todos os males imputados a Bashar al-Assad começaram verdadeiramente e em massa. Muitos também lhe chamaram de Guerra Civil da Síria, como se alguma vez tivesse ocorrido um insurreição popular, ou se aquilo que aconteceu na Síria fosse uma guerra desejada e perpetrada pelo povo sírio.

Até 2011, a Síria era um dos países mais pacíficos do mundo e o governo sírio estava a implementar uma série de reformas que estavam a desenvolver as infra-estruturas do país, como nunca antes havia acontecido. A Síria era/é um grande produtor de petróleo e cereais, sendo quase completamente autónoma numa série de recursos e produtos essenciais à vida da população.

Mas como é seu hábito, os EUA não aceitam que o “seu” petróleo esteja alojado em territórios estrangeiros. É que ninguém entende a razão pela qual o petróleo norte-americano teima em aparecer nos outros países. Por exemplo, os EUA nunca aceitaram o facto de a Venezuela possuir enormíssimas quantidades de petróleo que pertence a Washington. E, por essa razão - só por essa razão -, Chavez era um ditador e Maduro seguiu-lhe os passos. Se eles colaborassem e devolvessem a Washington o petróleo que não lhes pertence, já seriam uns democratas de primeira categoria. Que raio de mania que estes “ditadores” têm em considerar que o petróleo norte-americano é deles, apenas porque está no seu território.

Voltando à questão da Síria, o país só entrou no descalabro depois de EUA, Israel e Turquia, directamente com as suas forças, e indirectamente, através do financiamento e fornecimento de armas aos terroristas da al-Qaeda e do Estado Islâmico terem invadido e esventrado o país. Por exemplo, muitos se indignam com o facto de a Rússia ter ocupado cerca de 20% da Ucrânia, mas nenhum deles se incomodou com o facto de os EUA terem ocupado e usurpado cerca de 30% da Síria. Curiosamente a parte que tem mais petróleo e trigo (a Síria é um dos maiores produtores de trigo do mundo, 100% auto-suficiente e exportadora).

Esta foi e é a realidade da Síria. Um país que poderia ter vários problemas (quem os não tem?), mas que se agudizaram e se exponenciaram com a interferência externa orquestrada por Washington. Quem mais poderia ser? E eles nunca o esconderam, muito pelo contrário, eles sempre fizeram saber das suas putrefactas intenções sobre a Síria, a Líbia, o Iraque, o Afeganistão e o Irão. Para quem ache que estou a teorizar conspirações, eu deixo abaixo a verdade, pela boca dos próprios.

E, agora, vemos o ocidente demente a protagonizar mais um dos seus patéticos surtos psicóticos, ao festejar a queda de um país, porque é isso que está a acontecer na Síria. Basta ver como se encontram, agora, o Iraque e a Líbia, depois de terem sido alvos do mesmo manual de procedimentos da CIA.

Vemos também o ocidente demente a festejar a tomada do poder na Síria, por grupos de terroristas da pior espécie – aqueles que andaram a exterminar milhares de civis, sobretudo curdos e cristãos, aos quais decapitam e queimam as suas cabeças na praça pública. É com estas pessoas que o ocidente demente espera que se faça a paz e a democracia na Síria. Como se o ocidente estivesse minimamente preocupado com a paz, a liberdade e a democracia, seja onde for. Basta ver o estado desses valores nos seus países. Os vermes que agora estão a tomar conta da Síria, a que o ocidente demente e propagandista passou a chamar de HTS, para fazer de conta que não são aquilo que sempre foram, estão a eliminar todos os cristãos no Médio Oriente. Foi assim no Iraque e foi, é e continuará a ser assim na Síria. Todos massacrados e muitos deles decapitados pelos mesmos que agora “libertaram” a Síria.

E se dúvidas houvesse em relação ao que acaba de acontecer na Síria – e porque a maioria das pessoas apresenta uma enorme ânsia de tomar o “lado do bem”, escolhendo invariavelmente o lado errado – bastaria atentar na forma como o “nazionista” genocida Netanyahu celebrou a queda de Bashar al-Assad e a vitória dos terroristas, como ele. Só isso é suficientemente esclarecedor para se perceber que aquilo que está a acontecer na Síria não poderia ser mais errado e maléfico. O pior que poderia acontecer ao povo sírio, neste momento.

Entretanto, Netanyahu não tem parado de atacar a Síria e de tomar conta de mais território que não lhe pertence. Tal como faz na Palestina e no Líbano.

Em suma, mais um golpe para favorecer os sórdidos e repugnantes interesses de Washington e de Israel, no Médio Oriente (lembremos as palavras de Joe Biden quando disse que “se Israel não existisse, nós [os EUA] teríamos de o inventar”). E, já agora, adicionemos também a Turquia que, finalmente poderá construir o tão desejado gasoduto que visa conectar o Qatar e a Turquia, mas que tem que invadir o território da Síria, para que tal seja possível. Erdogan só terá de fornecer armas e dinheiro aos terroristas da al-Qaeda e do Estado Islâmico e mantê-los entretidos a perseguir e chacinar curdos, cristãos, mulheres e crianças, para cumprir o seu objectivo.

Aquilo que acaba de acontecer na Síria é o pior dos cenários para o povo sírio, para a própria existência da Síria como país e, infelizmente, para toda a região do Médio Oriente, sobretudo a Palestina, que deixará de ter os únicos que até agora lhes ofereciam algum apoio para se defenderem do regime genocida israelita. Com a Síria neste estado, a pouca ajuda que chegava à Cisjordânia e Gaza fica agora muito mais difícil.

O genocida Netanyahu esfrega as mãos. Os terroristas da al-Qaeda e do Estado Islâmico esfregam as mãos e ganham poder. E os maiores arquitectos da desgraça e do terror em Washington esfregam as mãos com mais um golpe de estado e, acima de tudo, com mais uma enorme apropriação de recursos que não lhes pertence. Nenhum deles se importa com o povo sírio. Nenhum.

Se você nunca pensou no assunto por este prisma, você nunca pensou. Mas não se preocupe, ligue a televisão ou conecte-se à Internet e deixe-se levar por quem abnegadamente se dedica a essa tarefa árdua que é pensar por si.